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SOBRE A CRIAÇÃO DE CAVALOS ...


1- ESCOLHENDO UM LOCAL

2- IMPLANTAÇÃO

3- PAVILHÃO DE COCHEIRAS

4- ESCOLHA DAS VARIEDADES FORRAGEIRAS

5- PASTAGENS DE CLIMA FRIO

6- PASTAGENS DE CLIMA QUENTE

7- IMPLANTAÇÃO DE PASTAGENS


"Filosofia da criação de eqüinos - o tripé: genética/nutrição/manejo"

ÁREA IDEAL, PASTAGENS E INFRA-ESTRUTURA

Todas as preocupações com o potencial genético são importantes e até decisivas para o sucesso da criação. Entretanto, a divergência está na sua colocação. A probabilidade de termos um bom animal, partindo exclusivamente da capacidade genética é extremamente baixa. Já desde a gestação, os cuidados nutricionais são importantes, bem como serão também durante todos os estágios de crescimento e desenvolvimento.

Um animal nutrido corretamente terá maior possibilidade de manifestar seu potencial genético. Por outro lado, um animal mal nutrido, com potencial genético fantástico, terá bloqueada a manifestação desses caracteres e se nivelará por baixo. O mesmo ocorrerá em relação à sanidade e ao manejo. Um animal protegido por uma sanidade profilática adequada, levará um vida sem sobressaltos, aproveitando melhor a nutrição e potencializando sua capacidade genética.

A criação de cavalos é, sem dúvida, de grande complexidade, com muitos fatores a serem considerados. No entanto, a probabilidade de sucesso aumenta com a aplicação de tecnologia, lógica e observação. De tal modo, o investimento em potencial genético terá maior retorno.

1- ESCOLHENDO O LOCAL

A criação de cavalos hoje, além de um passatempo ou hobby é uma atividade que deve ter orientações empresariais, conciliando lazer ao lucro. Para tanto, a seleção da área onde se instalará o criatório e o projeto construtivo constituem a base para o sucesso.

Área- Deve estar diretamente relacionada com a quantidade de animais, em função do número de matrizes (1 égua/alqueire ou 2.5 hectares), solo, pastagem, manejo solto ou semiconfinado, aproveitamento de área, etc.. Como parâmetro, podemos dizer que a relação acima leva em conta a matriz, o produto ao pé e outro sobreano.

Solo- A fertilidade é a chave do êxito da criação de eqüinos. Esta característica qualitativa trará pastagens fartas e abundantes, desde o ponto de vista econômico. Não é recomendado a escolha de solos arenosos ou com pedras, pela escassez de nutrientes e forte poder de abrasão, prejudicial aos aprumos, além de ter pouca retenção de água.

Topografia- É preferível os planos e os levemente ondulados, por estarem livres da erosão e lixiviação.

Clima- Apesar da grande capacidade de adaptação dos eqüinos, onde encontramos raças adaptadas a condições extremas de frio e calor, é preferível locais de clima ameno, com pouca variação de altura em relação ao nível do mar, com umidade média e poucos ventos dominantes.

Água- A quantidade de água é fundamental, por ser fator decisivo na vida e na saúde dos animais. É necessário exames bromatológicos, para a verificação da presença de microorganismos que possam inviabilizar a portabilidade da mesma, tanto para consumo quanto para a irrigação.

Arborização- As árvores, além das funções vitais como sombreamento e oxigenação cumprem ainda outras funções importantes nos criatórios, como por exemplo o de contorno e proteção dos ventos.

Infra-estrutura de apoio- Rodovias transitáveis, eletrificação e proximidade de centros urbanos e centros de atividade da raça escolhida.

Planta planialtimétrica- Uma vez definida a área, o passo seguinte é fazer um inventário do terreno através de fotografias aéreas e levantamentos contendo curvas de nível a cada 5 metros. Na impossibilidade de fotografias aéreas, as plantas deverão conter também a localização exata dos acessos principais, córregos, nascentes e árvores intocáveis, para que se possa elaborar um plano diretor de crescimento da propriedade e de seus produtos. É de fundamental importância o trabalho conjunto do Arquiteto e do Eng. Agrônomo na definição das diretrizes a serem seguidas.

Número de matrizes- Generalizando, existe um parâmetro orientativo entre a área e o número de matrizes. Desta forma um criatório de 40 alqueires ou 100 hectares poderá ter em regime semi-extensivo 40 éguas e sua produção de até 2 anos, partindo de uma prenhes de 80%, implicando em 32 potrinhos de ano e 32 de sobreano, num total de 104 animais.

Divisão de piquetes- Está intimamente relacionado ao potencial de pastagens nas diferentes estações do ano, ao número de animais e categorias. Garanhão, éguas cheias, com potros, vazias, potros e potrancas (2 e 3 anos). Com relação à forma, os preferidos são os retangulares ou quadrados. Não importando, no entanto, que se apliquem outros traçados. Além disso é fundamental a separação de áreas para culturas "fora de estação", como capineiras, milho e alfafa.

Área de piquetes- Para garanhões prefere-se os planos de 0,30 a 0,50 ha de área. Para éguas em geral os planos ou levemente ondulados de 2 a 4 ha e próximos das baias, para preservar os aprumos dos potrinhos.

Piquetes para éguas cheias e vazias- Áreas de 2 a 6 ha e próximos das baias.

Piquetes para produtos desmamados- Áreas de 2 a 8 ha.

Vias de circulação- As vias devem ser projetadas levando-se em conta a praticidade do manejo. O bom traçado, aliado a um sistema de porteiras eficiente, permite o rápido deslocamento dos animais por corredores perimetrais ou principais feitos por uma só pessoa, evitando com isso acidentes e o stress provocado por galopes desenfreados. A largura das vias secundárias fica em torno dos 6 metros, enquanto a das principais em 10 metros.

2- IMPLANTAÇÃO

Cocheiras- Podem ser construídas em um único pavilhão, que abrigue reprodutores e produtos, ou cocheiras em separado para cada fim, com acesso facilitado e orientação no eixo norte-sul.

Depósitos- Próximo das cocheiras.

Embarcadouro- De preferência na entrada da propriedade e próximo de balanças e centro de profilaxia sanitária.

Cepos de palpação e rufiação- Próximo das cocheiras.

Picadeiro e redondel- Próximo das cocheiras e setor de serviços.

Linhas elétricas, hidráulicas e de comunicação- O ideal é o sistema subterrâneo e caixas de passagem com tampas de concreto.

3- PAVILHÃO DE COCHEIRAS

Com um número de animais reduzido, todas as categorias podem conviver num mesmo local. Entretanto, se esse número for superior a 20 animais, então já compensa ter pavilhões separados por categorias.

Cocheira de reprodutoras- Módulos de 3,60 a 4,00 metros de lado para matrizes e módulos de 4,50 metros de lado para baias de maternidade. A altura livre de quaisquer elementos construtivos não deve ser inferior a 3,50 metros.
Os cochos de alimentação e água devem estar a 0,90 metros do piso e devem ser executados em alvenaria com reboco de cimento e areia grossa e acabamento em cimento queimado; com arestas e vértices arredondados.
O sistema de abastecimento de água deve ser manual (evitando-se bóias), tese defendida entre os criadores norte americanos, que definem a água e a ração como os elementos que identificam o mal-estar dos animais. Portanto, obrigando uma observação constante às condições de higiene locais.
Com relação ao piso, sem dúvida os melhores são os de concreto grosso com bom sistema de drenagem.

Pavilhão de garanhões- A modulação é maior, ficando acima de 4,50 metros de lado, com paredes altas, para evitar a observação entre os animais. É muito importante para a saúde psíquica dos reprodutores a oportunidade de ficarem livres em piquetes conjugados às suas baias.

Centros de manejo- Esta instalação é uma medida de ordem econômica muito utilizada em alternativa às cocheiras. Tem por objetivo reunir o plantel em uma baia semi-aberta, formada por boxes individuais, de tamanho reduzido à forma do cavalo, para que possa ser administrado, em cochos, uma alimentação suplementar e observado o estado físico em que se encontra cada animal. Além de ser uma opção, esse tipo de centro contribui para o início e a manutenção da doma racional, onde o contato e a presença humana é fundamental.
Trata-se de um galpão, dividido em boxes de 1,00 metro de largura, com um corredor central para a inspeção. O fechamento de cada box, sempre que possível, deverá ser de material leve, resistente e revestido com espuma, para evitar danos aos animais em fase de adaptação a esse tipo de criação.

4- ESCOLHA DAS VARIEDADES DE FORRAGEIRAS

Como definido anteriormente, existem quatro elementos para viabilizar a criação, são eles: nutrição, sanidade, manejo e capacidade genética. Por ordem de prioridade vem em primeiro lugar a "nutrição", que tem com base fundamental as pastagens.
Apesar das influências do homem, o cavalo é considerado, ainda, um herbívoro dentro da classificação zootécnica, conservando as características morfológicas e de fisiologia digestiva, que assim o definem. O hábito de pastoreio baixo, permitido pela presença de dentes incisivos e lábios de extrema mobilidade, nos dá uma idéia do tipo de plantas forrageiras que o cavalo prefere e que resistem a esse tipo de pastoreio.

Plantas forrageiras- Podem ser estoloníferas de crescimento rasteiro, ou cespitosas - que cresce em touceiras - de pouca altura.
Esses três fatores - precipitação, temperatura e luminosidade - aliados à fertilidade do solo influem decisivamente no crescimento da planta forrageira de origem tropical e subtropical como por exemplo, COAST CROSS, RHODES e TRANSVALA, concentrando até 80% de sua produção no período de primavera-verão.

Por outro lado, as espécies de clima temperado, apresentam concentração produtiva no inverno, favorecidas pelas baixas temperaturas, dias curtos e a umidade, como é o caso do AZAVÉM, FALARIAS e TREVO BRANCO

Solo- Todas as espécies devem ser selecionadas a partir do tipo de solo que a propriedade possui e não impor ao solo as plantas de preferência dos proprietários. Suas exigências com relação a fertilidade do solo variam conforme o tipo de vegetal.

Clima- É o fator limitante na escolha da forrageira e deve ser encarado de forma a considerar todos os seus componentes.

5- PASTAGENS DE CLIMA FRIO

Azevém perene

- Tipo: Gramínea
- Origem: Mediterrâneo
- Solicitação: Exigente
- Semeadura: Fevereiro/Maio, 30kg por HA à lanço.

Falaris

- Tipo: Gramínea
- Origem: Mediterrâneo
- Solicitação: Exigente
- Semeadura: Março/Maio, 20kg por HA à lanço
- Rendimento: 6 toneladas por HA de matéria seca.

Blue grass

- Tipo: Gramínea
- Origem: EUA
- Solicitação: Muito exigente
- Semeadura: Março/Maio, 20kg por HA à lanço

Trevo branco

- Tipo: Leguminosa perene
- Origem: EUA
- Solicitação: Exigente
- Semeadura: Março/Maio, 3kg por HA inoculados

6- PASTAGENS DE CLIMA QUENTE

Transvala

- Tipo: Gramínea
- Origem: EUA
- Solicitação: Pouco exigente
- Semeadura: Março/Maio, por estolões 60x60 cm
- Rendimento: 45 toneladas por HA de matéria seca.

Coast Cross

- Tipo: Gramínea
- Origem: África
- Solicitação: Exigente
- Semeadura: Março/Maio, por estolões 60x60 cm

Capim Quicuio

- Tipo: Gramínea
- Origem: África
- Solicitação: Pouco exigente
- Semeadura: Março/Maio, por estolões 60x60 cm

Braquiária umidicola

- Tipo: Gramínea perene e agressiva
- Origem: África
- Solicitação: Pouco exigente
- Semeadura: Março/Maio, por mudas ou sementes
- Rendimento: 11 toneladas por HA de matéria seca.

Tifton 85

- Tipo: Gramínea
- Origem: EUA
- Solicitação: Pouco exigente
- Semeadura: Março/Maio, por mudas ou sementes
- Rendimento: 15 toneladas por HA de matéria seca.

7- IMPLANTAÇÃO DE PASTAGENS

Preparo do solo- Nesta preparação os objetivos são diferenciados segundo o sistema de implantação (mudas ou sementes).

Plantio por mudas- Neste sistema, a finalidade é trabalhar a terra com o objetivo de quebrar a compactação superficial e a substituição da forrageira existente com arações e gradeações, oxigenando e aumentando a capacidade de armazenar umidade.
O plantio deverá ser feito em dias nublados ou chuvosos para evitar o ressecamento das mudas, que deverão ser desfiadas pelo plantador. Que retornará ao local para uma capina superficial para a retirada de sementes latentes e ervas daninhas.

Plantio por sementes- Neste caso a preparação é mais esmerada, pois as mesmas necessitam de uma boa cama de semeadura, procurando-se evitar os torrões, os quais formam espaços de ar e produzem uma germinação falsa.
A dosagem dos adubos necessários ao bom plantio estão relacionados com o resultado da análise do solo e são fundamentais para a saúde das pastagens e dos animais que se alimentam dela, diminuindo com isso a quantidade suplemento alimentar dado paralelamente em cocho.

Cavalo Completo
8/99