ANÁLISES BROMATOLÓGICAS

INTRODUÇÃO

As principais frações do alimento que devem ser obtidas em uma análise bromatológica são:

MATÉRIA SECA (MS): representa o peso do material analisado totalmente livre de água, extraída num processo de secagem. É um dado de extrema importância, principalmente quando obtido de alimentos volumosos, que normalmente apresentam umidade variável. Os valores de matéria seca facilitam a comparação qualitativa dos diversos nutrientes, entre diferentes alimentos. A composição dos alimentos em tabelas, o cálculo das necessidades dos animais e o consumo de alimentos são expressos em termos de matéria seca.

 

PROTEÍNA BRUTA (PB): o requerimento protéico, assim como o energético, é de fundamental importância para bovinos. A deficiência de um ou de ambos limitará a produção animal. A proteína normalmente é suplementada através dos concentrados. Portanto, para que ocorra uma suplementação adequada de um balanceamento correto da dieta, torna-se necessário o conhecimento do real valor nutritivo.

 

FIBRAS:  as metodologias utilizadas para determinar os valores de fibra dos alimentos são: fibra bruta (FB), Fibra em Detergente Neutro (FDN), fibra em Detergente Ácido (FDA). Estes valores relacionam-se com a idade da forragem, pois quanto maior a percentagem de fibra, menor a qualidade da forragem, podendo limitar o consumo de matéria seca e Energia.

 

EXTRATO ETÉREO (EE):  determina a percentagem de gordura dos alimentos sendo útil para quantificar energia. Os alimentos com altos teores de gorduras têm altos valores de NDT (Nutrientes digestíveis totais), pelo fato das gorduras fornecerem 2,25 vezes mais energia quando comparadas aos carboidratos e proteínas.

 

MATÉRIA MINERAL (MM): é utilizada para estimar a fração bruta de minerais do alimento e também para verificar contaminação na amostra, através de compostos que não fazem parte da fração nutritiva do alimento (solo, metais, etc.).

 

EXTRATIVOS NÃO NITROGENADOS (ENN):  é um valor calculado a partir da soma de PB, FB, EE e MM, expressos em termos de MS e subtraído de 100. Representa os carboidratos de mais fácil digestão, como os açúcares e o amido.

 

NUTRIENTES DIGESTÍVEIS TOTAIS (NDT): expressa o valor energético dos alimentos. Seus valores são obtidos através de fórmulas que baseiam-se na análise bromatológica dos alimentos. Os valores de FB e MM afetam de forma negativa os valores de NDT e os valores de PB, EE e ENN contribuem para aumentar os valores de NDT.

 

ESTIMATIVAS DE NDT EM FUNÇÃO DA ANÁLISE BROMATOLÓGICA

 1. Fenos, palhas e resíduos fibrosos secos:

             NDT= -17,2649 + 1,2120 PB + 0,8352 ENN + 2,4637 EE + 0,4475 FB

 2. Pastagens e forragens frescas:

             NDT= -21,7656 + 1,4284 PB + 1,0277 ENN + 1,2321 EE + 0,4867 FB

 3. Silagens e volumosos:

             NDT= -21,9391 + 1,0538 PB + 0,9738 ENN + 3,0016 EE + 0,4590 FB

 4. Alimentos energéticos: < 20% PB e < 18% FB

             NDT= 40,2625 + 0,1969 PB + 0,4028 ENN + 1,903 EE – 0,1379 FB

 5. Alimentos protéicos: > 20% PB

             NDT= 40,3217 + 0,5398 PB + 0,4448 ENN + 1,4223 EE – 0,7007 FB

 FONTE: Kearl. L.C. Nutrient requeriments of ruminants in developing countries. International Feedstuff Institute. Utah State University, Logan, Utah, 1982.

 

TÉCNICAS LABORATORIAS

7.1. Pré-secagem, Matéria seca parcial ou 1a MS:

 Equipamentos:

»  Bandeja  inoxidável ou de alumínio 40x60 cm, sacos plásticos ou embalagens de alumínio.

»  Balança com precisão de 0,1 g.

»  Estufa de ventilação forçada.

 

Marcha analítica:

1.      Numerar e pesar uma bandeja inoxidável ou de alumínio de 40 x 60, sacos de papel ou embalagens de alumínio.

2.      Homogeneizar a amostra em um recipiente grande (bacia de plástico).

3.      Retirar uma quantidade significativa da amostra e colocar na bandeja, pesar e anotar o peso.

4.      Levar para estufa com ventilação forçada por 48 horas ou peso constante.

5.      Retirar da estufa e deixar esfriar em temperatura ambiente (24 horas).

6.      Pesar e anotar o peso.

 Cálculo:         

% MS 60o =   Peso bandeja após estufa - Peso bandeja vazia  x 100

               Peso bandeja com amostra - peso bandeja vazia

 

7.2. Matéria seca ( 105°C) ou 2a MS:

 Equipamentos:

»  Estufa de 105ºC

»  Garra tenaz

»  Balança analítica com  precisão de 0,0001 g

» Dessecador com sílica gel

»Cadinho de porcelana ou recipiente adequado (pesa-filtro ou forminhas de alumínio).

 

Marcha analítica:

1.        Retirar o cadinho de porcelana ou o recipiente adequado (pesa-filtro ou forminhas de alumínio) identificados da estufa 105°C, transferir para dessecador , esfriar ± 30 minutos, pesar e anotar.

2.        Adicionar ao cadinho de porcelana ± 2 g de amostra.

3.        Levar para estufa 105°C por 4 horas ou até peso constante. (aproximadamente uma noite).

4.        Retirar o cadinho ou outro recipiente + amostra da estufa e levá-lo ao dessecador por ± 30 minutos, pesar e anotar.

 Cálculos:    

 %MS = Peso do cadinho após estufa - Peso do cadinho vazio x 100

     Peso do cadinho com amostra - Peso do cadinho vazio

 

7.3. Matéria mineral (MM):

 Equipamentos:

»  Garra tenaz

»  Luva de amianto longa

»  Balança analítica com precisão de 0,0001 g

»  Dessecador com sílica gel

»  Cadinho de porcelana

»  Forno mufla

 

Marcha analítica:

1.        Retirar o cadinho de porcelana da estufa 105°C, transferir para dessecador, esfriar ± 30 minutos,  pesar e anotar.

2.        Adicionar ± 2 g de amostra ao cadinho.

3.        Levar em forno mufla por 4 horas a 600°C
 1 hora a 200°C
 + 1 hora a 400°C
 + 2 horas a 600°C

4.        Deixar abaixar a temperatura a ± 150°C, retirar o cadinho da mufla e transferi-lo para o dessecador por ± 30 minutos, pesar e anotar.

 Cálculos:       

%MM = Peso do cadinho após a mufla - Peso do cadinho vazio x 100

   Peso do cadinho com amostra - Peso do cadinho vazio

 

7.4. Extrato Etéreo (EE):

Equipamentos:

»  Extrator tipo Goldfish

»  Tubo extrator de vidro borosilicato

»  Cartucho extrator de celulose

»  Balança analítica com precisão de 0,0001 g

»  Dessecador de sílica gel

»  Pinça

»  Estufa 105ºC

 

Marcha analítica:

1.      Retirar o tubo extrator “rebolo” da estufa 105ºC e levá-lo ao dessecador por ± 30 minutos, pesar e anotar.

2.      Pesar ± 3 g da amostra em um cartucho extrator de celulose

3.      Adicionar 100 ml de éter de petróleo ao rebolo.

4.      Extrair em aparelho tipo Goldfish por 4 horas.

5.      Recuperar o éter utilizado na extração.

6.      Levar o rebolo mais o produto da extração para estufa 105ºC por 4 horas.

7.      Retirar da estufa e levar para dessecador ± 30 minutos e pesar.

 Cálculos:         

%EE = Peso do balão com extrato - Peso do balão vazio x 100 

Peso da amostra

7.5. Fibra em detergente neutro (FDN):

             Equipamentos:

»  Aparelho digestor de fibra

»  Balança analítica com precisão de 0,0001 g

»  Becker de 600 ml

»  Cadinho de Gooch

»  Bomba de vácuo

»  Pipetas de 1, 2 e 5 ml

»  Dessecador

»  Chapa aquecedora

 

1º Caso: Amostra com baixa quantidade de amido

1.      Pesar 1 g da amostra.

2.      Transferir para um becker de 600 ml.

3.      Adicionar 100 ml de solução digestora de FDN, 2 ml de anti-espumante e 30mg de sulfito de sódio anidro.

4.      Levar ao aparelho digestor de fibra  por 1 h, após o início da ebulição.

5.      Pesar o cadinho de gooch identificado e anotar o peso do mesmo.

6.      Filtrar o resíduo com auxílio de bomba de vácuo e 100ml de água quente.

7.      Lavar com 50 ml de acetona.

8.      Levar o cadinho a estufa 105ºC por 4 h.

9.      Retirar, levar para o dessecador, pesar e anotar.

 

2º Caso: Amostra com elevado teor de amido

1.      Pesar 1 g de amostra

2.      Transferir para becker de 600ml

3.      Adicionar 30ml de uréia 8M fervente.

4.      Deixar em repouso por 4 horas.

5.      Adicionar 100ml de solução digestora de FDN, 30 mg de sulfito de sódio, 2 ml de anti-espumante e 50 ml de a-amilase.

6.      Seguir os mesmos passos do n.º 4 em diante do caso anterior.

 Cálculos:       

%FDN = Peso do cadinho com resíduo - Peso do cadinho vazio x 100

Peso da amostra

 

7.6. Fibra em detergente ácido (FDA):

 Marcha  analítica:

1.      Pesar 1 g da amostra.

2.      Transferir para um becker de 600 ml.

3.      Adicionar 100 ml de solução digestora de FDA e 2 ml de anti-espumante.

4.      Levar ao aparelho digestor de fibra por 60 minutos, após o início da ebulição

5.      Retirar o cadinho da estufa 105ºC esfriar em dessecador, pesar e anotar.

6.      Filtrar o resíduo com auxílio de bomba de vácuo.