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PROJETO DE FENO E FENAÇÃO


1 - INTRODUÇÃO

Tipos e classes de fenos Mínimo de folhas (%) Mínimo de cor verde (%) Máximo de impureza (%)
Fenos de leguminosas e mistos      
No.1 (alta qualidade) 40 60 5
No.2 (regular) 25 35 10
No.3 (relativamente pobre) 10 10 15
Fenos de gramíneas      
No.1 (alta qualidade) 45 40 10
No.2 ( regular) 30 30 15
No.3 (relativamente pobre) 15 10 20


 QUADRO 2 - Classes de Fenos de Leguminosas e Conteúdo em Nutrientes (U.S.D.A., 71)

Classes Prot. Bruta (%MS) Fibra Bruta (%MS) E.N.N. (%MS)
No.1 22,5 22,8 45,2
No.2 16,9 30,8 43,2
No.3 16,8 38,3 36,8


6.2 - Qualidade de alguns fenos de gramíneas e leguminosas

   Dados referentes ao valor nutritivo de fenos de gramíneas e leguminosas principalmente, da América Latina são apresentados no quadro 3.

QUADRO 3 - Valor nutritivo de alguns fenos de gramíneas e leguminosas

Gênero, espécie e processamento MS (%) PB (%MS) ED (Mcal/kg) NDT (%MS) Ca (%MS) P (%MS)
Glycine max ( feno curado ao sol) 89,0 15,9 2,49 56,6 1,33 0,32
Hyparrenia rufa ( feno curado ao sol) 90,1 7,2 2,56 53,1 0,52 0,14
Manihot esculenta (folhas curada ao sol) 69,8 26,9 2,78 63,1 4,23 1,06
(parte aérea desidratada) 90,3 12,1 2,64 59,9 0,60 0,26
(raízes desidrat. e moído) 87,3 2,80 3,48 78,9 0,17 0,09
Medicago sativa (curado ao sol, flor.) 90,1 12,5 2,57 58,2 1,40 0,19
(desid.,flor. e moído) 92,4 19,5 2,54 57,5 - 0,30
Melinis minutiflora ( curado ao sol) 93,2 6,8 - 50,6 - -
Musa paradisiaca (folhas desidrat.) 96,7 16,6 2,89 - - -
Oryza sativa            
(casca de arroz) 90,6 4,5 1,76 49,3 - -
(palha de arroz) 89,0 5,4 1,87 68,0 1,90 0,25
Panicum maximum            
(colonião desidrat.) 93,5 6,7 2,16 48,9 0,47 0,26
(Tanzânia) 90,0 8,0 - 55,.0 1,10 0,25
(Tobiatã) 90,0 7,8 - 55,3 1,00 0,25
Pennisetum ciliare ( capim buffel curado ao sol) 92,7 7,9 2,14 48,6 - -
Pennisetum purpureum ( feno curado ao sol) 89,1 8,2 - 45,4 - -
Elefante Híbrido Paraíso 90,6 14,6 - 65,6 1,10 0,35
Gênero, espécie e processamento MS (%) PB (%MS) ED (Mcal/kg) NDT (%MS) Ca (%MS) P (%MS)
Saccharum officinarum (ponta da cana curada ao sol) 88,4 4,1 2,54 57,5 - -
(bagaço seco) 91,8 1,2 - 55,3 0,32 0,14
Sorghum vulgare (paniculas curadas ao sol) 88,5 10,4 - - 0,18 0,12
(parte aérea curada ao sol) 90,6 4,2 2,19 49,7 0,30 0,15


 7 - MÉTODOS DE PREPARO DO FENO

   Os estudos têm demonstrado que um bom equipamento concorre para reduzir o custo de mão de obra e para melhorar a qualidade do produto. O feno seca mais rapidamente, distendido e espalhado do que em leiras, mesmo que estas sejam espalhadas e frouxas. Quanto maiores forem as leiras, tanto mais lenta será a cura sendo esta mais lenta ainda, quando se dispõem as forrageiras para secar em pequenos montes.

   Embora o feno se cure mais rapidamente estando espalhado, não é aconselhável curá-lo totalmente dessa forma, exceto no caso de fenos de gramíneas quando o tempo estiver frio e seco. Realizando-se a cura total desse modo, as folhas se tornam secas e quebradiças muito antes que as hastes estejam suficientemente secas. Em se tratando de leguminosas, haverá grande perda de folhas ao ser o feno manipulado. A exposição prolongada de feno ao sol também o tostará destruindo grande parte do caroteno.

   A disposição de forragem verde em leiras, embora pequenas e frouxas, imediatamente antes do preparo das medas, prolongará o tempo necessário para a cura do feno exceto em um clima muito seco. A cura realizada lentamente aumenta o risco de prejudicar a fenação no caso de chuvas. O enleiramento da forragem verde dá  margem aos acidentes, com fermentações e emboloramento do feno.

7.1 - SECAGEM  

   Para preparar um feno de qualidade, folhudo e verde, deve-se proceder da seguinte maneira :    

a)   ceifar pela manhã, bem cedo, pois não há necessidade de retardar o corte por causa do orvalho. As forrageiras ceifadas logo cedo, embora úmidas pelo orvalho apresentam-se mais secas à tarde do que as ceifadas em horas mais avançadas do dia;

b) em seguida proceder ao acondicionamento quantas vezes necessárias - mínimo de duas passagens;

c)   deixar a forragem espalhada por algumas horas, até que ela fique parcialmente curada;

d) ceifar apenas a quantidade que se puder manejar convenientemente, sob as condições comuns de tempo;

e)   antes que haja perigo de desprendimento das folhas, a forragem deve ser amontoada, em pequenas leiras, frouxas, de preferência, com um ancinho de descarga lateral;

f)    caso o tempo esteja propício à fenação, a cura deverá prosseguir nessas leiras, sendo o feno daí enfardado;

g)   a cura do feno processando lentamente por causa do tempo, poderá ser conveniente, após algumas horas, revirar parcialmente as leiras para apressar a secagem. Este revolvimento ainda poderá ser necessário se o feno estiver molhado por causa das chuvas.

8 - ARMAZENAMENTO DO FENO

8.1 - Efeitos gerais

  Outras perdas na qualidade do feno ocorrem quando o feno , após secagem, é armazenado. Uma série de trabalhos indicam que perdas na matéria seca aumentam com a temperatura de armazenagem e com o conteúdo de umidade do feno. Entre 18 a 7º C a 12 % de umidade as perdas foram insignificantes. A 36º C e 18 % de umidade a perda de matéria seca foi de 8 % durante 9 meses de armazenamento. As perdas foram principalmente, de açúcar, outros carboidratos solúveis e alguns lipídeos possivelmente, por desenvolvimento de fungo.

       Perdas variáveis de carotenóides ocorrem, principalmente, se o teor destes no feno é alto.

        As perdas podem resultar da oxidação na presença de ar, enzimas ou microorganismos. Atribui-se a hidrólise de sacarose de feno estocado à 25ºC de temperatura e umidade relativa do ar de 76%, à atividade enzimática. Isto porque o feno não foi aquecido acima de 45º C durante a secagem. As hexoses desapareceram mas, somente na presença de oxigênio e isto foi atribuído ao desenvolvimento de fungo.

    Feno contendo 16% de água a temperatura subiu muito pouco e microflora foi muito pouco diversa. Feno com 25 % de água causou elevação da temperatura a 45º C e houve desenvolvimento de mofo, principalmente de Aspergillus glaucus. Com 40 % de água a temperatura alcançou 65º C e continha grande número de fungos termofílicos.

   A fermentação resulta em perda de açucares e formação de bases voláteis de nitrogênio, que tendem a elevar o ph. Verificou-se que feno com mais de 30% de umidade não é adequado para armazenamento e como consequência há decréscimo na digestibilidade, particularmente da proteína. E ainda os açúcares e algumas proteínas decrescem no feno estocado mas , a maior perda relativa foi de caroteno; 81% do caroteno desapareceu após seis meses de armazenamento.

   Aquecimento expontâneo da massa a ser fenada, conduz o aparecimento de material de cor marrom. A composição deste feno é semelhante a um feno de qualidade pobre. Contudo, se o calor produzido levar ao aparecimento de cor escura, há acentuada queda nos carboidratos digestíveis e consequentemente aumento no teor de fibra.

8.2 - Enfardamento do feno no campo

  Usa-se  fazer o enfardamento do feno no momento de retirá-lo das próprias leiras com enfardadeira, é necessário que sejam tomadas determinadas precauções.

   O feno deve estar um pouco mais seco que o comum. É preferível que sua umidade esteja entre 20 e 22 %. Os fenos de leguminosas, excessivamente secos, antes do enfardamento perdem considerável quantidade de folhas. O enfardamento nas próprias leiras evita boa parte da perda das folhas.

   Para permitir a ventilação nas pilhas de fardos estes devem ser colocados na primeira camada, de lado. A camada seguinte será constituída de fardos depositados sobre os lados maiores e assim sucessivamente, conservando os ângulos retos. Os fardos não devem ser colocados juntos, pois é necessário deixar um bom espaço entre eles. Todo feno solto deverá ser retirado no topo das camadas de fardos antes de depositar a camada seguinte.

8.3 - Feno  Picado 

  Nestes últimos anos tem-se intensificado o emprego de máquinas para picar feno, apanhando-o diretamente nas leiras e lançando-o por meio de um ventilador da própria máquina para o veículo de transporte. Às vezes o feno é transportado sem ser picado até o local de armazenamento onde, com o auxílio de uma picadeira do tipo das ensiladeira, é picado e amontoado. A fragmentação do feno é conveniente para a alimentação contudo, o valor de um feno de boa qualidade para o gado bovino, ovino e eqüino não aumenta apreciavelmente ao ser picado. Ocorre é um aumento do consumo deste feno. Um animal adulto (300 kg P.V.) consome 6,0 kg de feno moído ou picado, enquanto integral é de 4,0 kg.

         Pode haver uma pequena vantagem em picar o feno de qualidade inferior. O feno picado fino pode se tornar poeirento e portanto menos apreciável pelos animais. Para uma conservação segura, o feno picado deve estar um pouco mais seco do que o necessário para um feno comum, já que tem maior tendência para se aquecer porque se amontoa mais densamente, oferecendo menor oportunidade para que a umidade e o calor se dissipem. O feno picado ocupa apenas a metade ou um terço da área necessária para armazenar o feno comum. O feno deve ser distribuído em camadas, pelo ajustamento do tubo lançador. Nunca se deve permitir que o feno se acame por si próprio, pois poderá provocar aquecimento em vários pontos.

          Sendo o custo destes equipamentos muito elevado aí se tornam econômicos quando o volume de feno a ser produzido justificar seu emprego. O custo da produção de feno será reduzido quando a mesma máquina for utilizada no corte de outras forrageiras ou de milho para silagem.

9 - MATERIAL

9.1 - Ceifadeira

   Preferencialmente este equipamento deve ser de disco. De acordo com o modelo pode-se ter  larguras de cortes de 1,70 a 2,40 metros, podendo ser de quatro a seis discos. Normalmente cada disco tem duas facas, portanto, tem-se ceifadeira de oito e 12 facas. A potência requerida na tomada de força é de 25 a 38 cv dependendo do modelo ( 4 e 6 discos ). A capacidade de produção máxima de corte é de 3,0 a 4,0 hectares por hora, variando de acordo com a quantidade de forragem a ser cortada. A rotação requerida na tomada de força é de 540 rpm , independente do modelo. Os discos em movimentação normal adquirem uma velocidade de 3.000 rpm, com a ceifadeira acoplada ao sistema hidráulico de um trator  agrícola com a marcha em segunda reduzida.

        Pode-se observar, através da figura 1, uma ceifadeira de disco em operação ceifando uma gramínea tropical.

9.2 - Condicionador - secador

    É um equipamento indispensável ao preparo de um bom feno. Ele promove a aceleração da secagem pelo aumento da superfície de evaporação da água pelos tecidos da planta.

   A primeira passada (batida) do condicionador-secador é importante para se obter um bom feno. Esta passagem deve ser feita logo imediatamente após a ceifa, quando a forragem ainda não se emurchou . Se ocorrer da forragem perder muita água após a ceifa e antes da primeira batida haverá dificuldades nesta etapa, ocasionada por embuchamento do material nos rolos-faca.

   A primeira passagem do condicionador é considerada uma etapa pesada, requerendo do trator acoplado a marcha de primeira reduzida, para grandes quantidades de forragem  ceifada ou segunda reduzida  para  quantidades  menores  ( < 8,0 ton./ha de forragem verde). A potência requerida é de 35 cv e a velocidade de rotação na tomada de força é de 1.800 rpm.

   A segunda passagem (batida) deve ser feita logo após a primeira. Pode-se usar a marcha de segunda reduzida para grande quantidade de forragem ceifada ( > 10 ton./ha de forragem verde ) ou a terceira reduzida para quantidades menores de forragem.

   Quando se tem uma quantidade de forragem grande (> 15 ton./ha de forragem verde), recomenda-se uma terceira batida que deve ser feita logo após a segunda. Esta pode ser feita com trator em primeira simples, com 1.600 rpm.

9.3- Ancinho enleirador

    Existem vários tipos deste equipamento no mercado. Um deles é o modelo GIROBAR-90, que pesa 250 kg, com uma largura total de 3,0 metros. A potência requerida para o trator agrícola é de 25 cv. O sistema de roda é giro livre com 540 rpm e com levante acoplado em três pontos. A velocidade de operação do trator agrícola é com a marcha de terceira reduzida ou primeira simples, dependendo da quantidade de forragem cortada. A sua capacidade máxima de produção é de 5 hectares por hora.

9.4- Enfardadeira de rolo

  Preferencialmente deve-se usar este equipamento. A enfardadeira requer na tomada de força do trator agrícola  40 cv e  ainda  540 rpm, na  segunda  marcha reduzida. O seu rendimento médio é de 50 ton./ha de  feno por dia.        .

     10 - ASPECTOS ECONÔMICOS

      Na apuração dos custos de produção do feno apropriou-se o custo de produção da massa verde, desde a destoca do terreno até os tratos culturais, considerando que a vida útil é de 8 anos. Computou-se o custo da massa verde como se o campo de produção de forragem fornecesse três cortes fenáveis por ano.

      As depreciações foram calculadas em função da vida útil do equipamento (10 anos) e do número de horas de utilização por ano. Dos preços de aquisição dividiu-se o valor residual do equipamento, ao de sua vida útil. A incidência nos custos de produção do feno foi calculada na razão direta de sua efetiva utilização na fenação utilizada ( Quadro 1 ).

      A mão de obra incidiu à base do salário mínimo e os serviços de trator foram apurados de acordo com o preço vigente na região ( Quadro 1).

QUADRO 1 - Custos de produção por quilo de feno em fardo

COMPONENTES CUSTOS ( R$ / kg )
Custo do capim braquiária 0,005
Ceifador - capim braquiária 0,004
Condicionamento - capim braquiária brizantha 0,006
Enleiramento - capim braquiária brizantha 0,002
Enfardamento - capim braquiária brizantha 0,040
Depreciação 0,006
Encargos diversos 0,006
TOTAL 0,069



Tomou-se os índices de rendimento do fabricante para os cálculos efetuados.

10.1 - Relação benefício / custo

   Considerando um ganho médio diário  por cabeça de 0,650 kg de novilhos suplementados com feno e minerais, com peso vivo médio diário de 300 kg, durante a época seca do ano (julho a novembro). O benefício diário por animal seria da ordem de U$ 0,54.

   Considerando ainda, um consumo de 6,5 kg de feno por dia  e de 0,06 kg de mistura mineral, o custo da alimentação diária  seria de U$ 0,47 ( U$ 0,45 do feno e U$ 0,02 da mistura mineral). A relação benefício / custo seria da ordem de 1,1489.

 

Cavalo Completo

07/2003